Jardim da Ostentação

Era quase noite.


As corujas preparavam as suas vestes;

e os vagalumes, prestes a acender,

seriam as estrelas da madrugada.


Os lobos organizavam a jogatina;

e a cobra - a dançarina - estava tonta,

era o seu dia de estreia.


Já aquela árvore...


apenas se consolava.


Há muito, ela ali estava.

Sempre a esperar.


Sonhava com os astros

e tinha, em sua semente,

uma ideia frequente:


Um dia, me plantarei lá.


E, assim, ela tinha passado

muitos anos em desapego.


De folha em folha, 

foi-se a vaidade.


De escolha em escolha,

ganhou maturidade.


Mas mal sabia ela 

que aquela noite era especial.


A sua Lua brilhava forte;

e Gaia, para a sua sorte,

percebeu a sua grande dedicação.


Do fim da história, 

ela só lembra uma parte:


Dormiu na Terra,

mas acordou em Marte. 

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