A linhagem e a linguagem

 Eram tempos de modernidade.


Mas a calamidade era intelectual

de tal maneira que a existência era umbral.


De um lado, os vogálicos; do outro, os consoantes.


Em constante exclamação, cada qual era vulcão

em congelante erupção.


Armados com suas crases, os vogálicos atacavam.

Circunflexos, os consoantes revidavam.


E, assim, a ortografia era uma sentença...


Até que dois extremos se viram em atração:

O destino era certeiro e se pôs em oração.


O sujeito era bem simples; já a outra, advérbio.

Mas, em tempos de advento, a conclusão era provérbio.


Em manhã de culto oculto, nasceu em tom discreto.

Era sadio, era menino. E o nomearam “Alfabeto”.

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