Apenas escute


Você é capaz de escutar?

O palpitar dos nossos corpos

Enquanto se desfazem em mil estrelas:

Poeira por todos os lados ao se colapsarem

Surdas, perdidas no universo do desejo?


O amor, faço por palavras 

Em rasantes razoavelmente

Estranhos, no mínimo desajeitados.

Palavras escavadas de pensamentos 

longamente meditados.


Mas bebo em silêncio, mãos confiantes

o teu sumo que embriaga – E não é coisa pouca! 

E se sumo...desapareço em meio ao que sua alma

espalha enquanto 

meus sentidos, embaralha

Assumo!


E curta, pois de curta: a vida!

Saiba: Morremos nus, pela a boca

Renascemos crus 

Pelos pelos que se arrepiam

Na escuta.


E tome um beijo úmido

Na nuca - nessa noite escarlate 

Para calar-te 

a boca

Para não dizeres, hoje, nunca


E nada...


Nessa vida paga

Isto: sentir de uma vez, só

tudo o que já pôde ser sentido!

Uma vez que se tenha

junto a outro ser renascido,

o que certamente nada apaga!


Nem de fato, essa chama.

Nem meu nome chama!

Na caverna dos palatos, deixa quieto

Na língua, no escuro 

como vinho que curte.


Apenas escute...


Seja nus nossos terra, céu e mar

o que importa é articular 

muda-mente seja uma

planta, um silêncio, uma mudança.

E o mais propício no momento:

Muda de roupa

Por favor

De bermuda para nenhuma.  


Nas paragens do teu corpo – ai de mim, pelejo!

Para não deixar o instinto – esse maldito

Sobrepujar a consciência, deixar vencer o ensejo

De esgotar-lhe quase toda a vida

Deixando-lhe estendido sobre desejos mudos

Da mulher de ação que sou

Perdida na transmutação

Do verbo corpo – sim verbo.

Na contramão da razão.

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