Amor Universal


Ainda somos distância, amor.

Ainda somo distâncias.

Mas por favor, me espera na memória

das noites de eclipse,

de quando fomos dois corpos celestes no céu dos lençóis.

Lembra?

Me espera na memória

das nossas superfícies se colidindo,

crateras por todos os poros.

A gravidade nos atraia rumo ao centro, à unidade.


Me espera na memória 

de quando sorvi todo o magma

que havia no teu nú

                                cleo.

Bebi teus desa

                        fogos.

E tu, sedenta por caldas de cometa

no teu riso estelar,

provou dezenas de asteróides meus.


Por favor, me espere na memória

de que sobrou de nós quase nada.

Somos planetas… cada um foi pro seu lado

cumprindo afazeres do Sistema.

Mas, da nossa colisão, resultou um novo corpo.

Metade minha, metade sua.

O chamamos de Amor

e orbitamos ao redor dele.


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