Jura-se

 Eu observava o horizonte como quem dorme em sonho. Mirava a distância e me quedava distante, distinto de mim mesmo. Durante meses cavando as trincheiras da letargia, a vigília não havia de ser meu forte.

Ao abrir o abismo dos olhos, isto é, quando hasteei a cortina das pálpebras, o brilho ofuscou a vista. O sol a pino inundava os cânions das íris.

"Para ser o que plasma

É preciso dar o sangue

É tirar do mangue

O passo que espasma"

Jura-se: ouvi esses versos do bocal daquela luz. Parece eu entendi a linguagem da clareza.

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